Pelo menos 97% do setor de sorvetes em Minas Gerais é composto por micro e pequenas empresas. A informação é do Sindicato da Indústria de Sorvetes do Estado de Minas Gerais (Sindisorvete MG). A entidade promove, nesta quarta-feira (23/9), uma ação com distribuição gratuita de picolés no Mercado Central para comemorar o Dia do Sorvete, celebrado na mesma data.
Segundo o presidente do SindiSorvete, Wander Bertolace de Carvalho, o setor está presente nos 853 municípios do estado, formado essencialmente por empresas familiares. “São negócios antigos. Você encontra empresas com 30, 40, 50 e até 70 anos”, afirma. “É um setor que emprega muito e que deixa marca na memória. O sorvete está ligado a momentos felizes, de alegria, com a família, o marido, o namorado ou os filhos. São momentos que ficam gravados”, diz.
Na indústria
De acordo com o Boletim da Indústria de Laticínios, Brasil e Minas Gerais, elaborado pela gerência de Economia da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), com dados do primeiro trimestre de 2026, sorvetes e preparações para sorvetes foram o principal produto exportado pela indústria brasileira de laticínios no período. Dados do Comex Stat mostram que as vendas externas chegaram a US$ 14 milhões.
No primeiro semestre de 2026, os sorvetes foram o principal produto lácteo exportado pelo Brasil, respondendo por 37% das vendas externas da indústria de laticínios. A coordenadora da Gerência de Economia da Fiemg, Juliana Gagliardi, reforça que esse é um dos poucos segmentos da cadeia em que o país apresenta superávit comercial. “O valor exportado foi mais de quatro vezes superior ao das importações, o que sinaliza a competitividade da indústria nacional nesse mercado. Em Minas Gerais, o desempenho também foi positivo, com saldo superavitário na balança comercial”, destaca.
Em Minas Gerais, existem 484 empresas dedicadas à fabricação de sorvetes. Juntas, elas são responsáveis por 3.243 empregos formais e por uma massa salarial anual de R$85,6 milhões, segundo dados estruturais da indústria, com base na RAIS/MTE de 2025.
Consumo
De acordo com um raio-X inédito sobre os novos hábitos de consumo do brasileiro, promovido pela Associação Brasileira do Sorvete e Outros Gelados Comestíveis (Abrasorvete) e conduzido pela Empresa Júnior da Fundação Getulio Vargas (EJFGV), o consumo per capita de sorvete chega a 8,68 litros ao ano, um avanço de 13% em relação ao último levantamento, de dois anos atrás.
“O mercado de sorvetes no Brasil está passando por uma verdadeira revolução guiada pela evolução do perfil do consumidor. Vemos hoje uma busca muito mais clara por valor e qualidade do que por quantidade. As pessoas não querem deixar de tomar sorvete, mas estão redefinindo como, quando e por que consomem”, destaca o presidente da Abrasorvete, Márcio Favaro.
Canetas emagrecedoras não impactam setor
O estudo da Abrasorvete mostra que a popularização dos medicamentos em canetas da classe GLP-1 (como Ozempic, Wegovy e Mounjaro) mudou o apetite de uma fatia expressiva da população, mas não tirou o sorvete do cardápio. Cerca de 30% dos entrevistados afirmam usar ou já ter usado esse tipo de medicação.
Além disso, 11,2% dos usuários de medicamentos em caneta consomem sorvete todos os dias — uma frequência 4,5 vezes maior do que a observada entre os não usuários (2,5%).
Há, porém, uma exigência funcional: 40,5% buscam opções zero açúcar e 36,2% optam por versões proteicas. Além disso, 22,6% estão totalmente dispostos a pagar mais por linhas funcionais e premium.
Impacto da inflação
O levantamento também mostra que, mesmo com o custo de vida apertado, o brasileiro tem forte fidelidade às marcas: 51,7% preferem reduzir a frequência de consumo e 14,5% optam por comprar embalagens ou porções menores.
Sabor predomina na escolha
A pesquisa aponta que o sabor pesa 12 vezes mais que a marca no momento exato do desempate. A marca conhecida serve para diminuir o risco da escolha, mas é a experiência sensorial do sabor que garante a compra.
Consumo no inverno
O levantamento desmistificou uma antiga crença do setor: a de que o brasileiro abandona o sorvete nos meses frios. Embora o verão seja o pico absoluto (com 71,3% consumindo ao menos uma vez por semana), apenas 8,2% declararam nunca consumir sorvete no inverno.
“O consumidor de hoje não busca apenas um doce, ele busca uma experiência. O futuro do nosso setor passa obrigatoriamente por essa entrega de valor agregado, onde o artesanal e o funcional caminham juntos para satisfazer um público que entende o sorvete como um alimento prazeroso e, ao mesmo tempo, compatível com seu estilo de vida”, destaca Márcio Favaro.
Ação no Mercado Central
Neste Dia Nacional do Sorvete, o Mercado Central recebe a ação “Eu Amo Sorvete Mineiro”. Promovida pelo Sindsorvete-MG, a iniciativa vai distribuir gratuitamente picolés ao público, das 13h às 15h, pelos corredores do centro de compras.
O objetivo, segundo a entidade, é valorizar o sorvete produzido no estado e aproximar o consumidor das marcas locais. A distribuição é aberta a todos os frequentadores e limitada a um picolé por pessoa, com vários sabores disponíveis enquanto durarem os estoques. Os picolés serão oferecidos pela marca Gellak, e a ação conta com o apoio do Mercado Central, que abriu seus corredores para receber a iniciativa.
Foto: Pexels/Imagem ilustrativa
Fonte: Raíssa Pedrosa – https://www.otempo.com.br/




