A rotina de cuidados com a pele vem passando por uma mudança de direção. Depois de anos marcados por sequências cada vez mais complexas de cosméticos, com séruns, ácidos, tônicos, essências, máscaras e outros produtos aplicados diariamente, cresce a adesão ao chamado skin-streaming — conceito que propõe simplificar o skincare e utilizar apenas o que realmente é necessário para cada pessoa.
Embora o termo tenha ganhado força recentemente nas redes sociais, a ideia está longe de ser novidade para a dermatologia. Segundo a dermatologista da Unimed Araxá, Dra. Gisele Basso Esteves Pires, o cuidado com a pele sempre deve partir de uma avaliação clínica e de indicações individualizadas.
Na prática, isso significa que, para muitas pessoas, uma rotina composta por limpeza suave, hidratação e proteção solar pode ser suficiente. Tratamentos específicos para acne, manchas, rosácea ou sinais do envelhecimento devem ser incorporados apenas quando existe indicação médica. “Constância costuma trazer mais resultado do que complexidade. Um protetor solar usado diariamente, um hidratante adequado e um tratamento bem indicado tendem a funcionar melhor do que uma sequência longa que muda a cada novidade publicada”, destaca a especialista.
Excesso pode trazer problemas
A dermatologista explica que o interesse por cosméticos faz parte do autocuidado e pode ser positivo. No entanto, o excesso de produtos e a busca constante por novidades podem provocar o efeito contrário ao desejado.
Quando diferentes ativos são introduzidos ao mesmo tempo, aumenta o risco de irritação da pele e também a dificuldade de identificar qual produto está causando o problema. “Introduzir um produto de cada vez ajuda muito. Quando cinco cosméticos novos entram na rotina na mesma semana, qualquer reação se transforma em um quebra-cabeça”, observa.
Segundo a médica, uma barreira cutânea saudável é fundamental para manter a hidratação natural da pele e protegê-la contra agentes irritantes. Quando essa proteção é comprometida pelo uso excessivo de cosméticos ou pela combinação inadequada de ativos, podem surgir sintomas como vermelhidão, ardor, descamação e sensação constante de ressecamento.
Rotina deve ser personalizada
Outro ponto destacado pela especialista é que não existe uma rotina universal capaz de atender todas as pessoas. Cada pele possui características próprias e responde de maneira diferente aos produtos utilizados.
“A pele saudável apresenta poros, textura, linhas e variações de cor. Cuidar dela significa preservar sua função, tratar doenças quando estão presentes e manter conforto. Não é necessário perseguir uma superfície artificialmente perfeita”, ressalta Dra. Gisele.
Para a dermatologista, simplificar o skincare também favorece a adesão ao tratamento, reduz desperdícios e permite que o paciente identifique com mais facilidade quais produtos realmente fazem diferença na rotina. O resultado é um cuidado mais eficiente, sustentável e alinhado às necessidades reais da pele.
Fonte: Daniel Nacati – Assessor de Comunicação / Unimed Araxá
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