Todas as escolas públicas e privadas do distrito de Jalisco suspenderam as aulas nesta segunda-feira (23/2), um dia após a morte de Nemesio Rubén Oseguera, o “El Mencho”, líder de um dos principais cartéis do México.
A suspensão das aulas foi feita para “assegurar o bem-estar dos alunos e professores”, afirmou a Secretaria de Educação de Jalisco. O estado, onde ‘El Mencho’ foi morto, também cancelou as aulas para o ensino superior.
Não há previsão para a volta às aulas. Segundo o governo de Jalisco, o aviso sobre a retomada das atividades escolares será feito em um novo comunicado.
Outros doze estados do México suspenderam parcialmente ou totalmente as aulas hoje. São eles: Oaxaca; Colima; Veracruz; Puebla; Querétaro; Michoacán; Guadalajara; Nayarit; Cidade do México; Guanajuato; Hidalgo e Baja California.
O país vive onda de violência, com ao menos 25 presos até a manhã de hoje. Segundo um balanço do governo divulgado pelo jornal El Universal, 11 pessoas foram presas por suspeita de participar de atos violentos e outras 14 por saques.
Ao menos 69 lojas da Oxxo foram saqueadas e 18 unidades do Banco del Bienestar, banco estatal, foram fechadas por segurança. O transporte público de Jalisco foi suspenso ontem e a expectativa é de que ele seja reativado hoje.
Turistas, em sua maioria dos Estados Unidos, ficaram sem poder sair do país por causa de estradas bloqueadas e cancelamento de voos. O governo dos EUA pediu que seus cidadãos permanecessem dentro das suas hospedagens
Nenhum balanço de voos cancelados foi divulgado, mas os Estados Unidos citaram que “a maioria dos voos” foi afetada. “Mantenha familiares e amigos informados sobre sua localização e bem-estar”, afirmou a Embaixada dos EUA no México.
Embora nenhum aeroporto tenha sido fechado, os bloqueios de estradas afetaram as operações aéreas, com a maioria dos voos domésticos e internacionais cancelados em Guadalajara e Puerto Vallarta.
MORTE DE ‘EL MENCHO’
Nemesio Rubén Oseguerra Cervantes, 59, conhecido como El Mencho, foi morto pelo Exército do México ontem. Ele era um dos fundadores e chefe da organização criminosa CJNG (Cartel de Jalisco Nova Geração).
Ele foi morto enquanto era levado, escoltado por comparsas, para um avião com destino à Cidade do México. Ele estava na cidade de Tapalpa, no distrito de Jalisco, e viajaria para receber um tratamento de saúde.
O Exército mexicano diz que seus integrantes foram alvo de tiros e que revidaram o ataque. Além de El Mencho, outros três homens, identificados pelo Exército como integrantes do CJNG, também morreram no local. Outros três do mesmo bando ficaram feridos gravemente.
Outros dois suspeitos foram presos. O Exército mexicano informou que foram apreendidos “diversos armamentos e veículos blindados”. Entre os armamentos, alguns capazes de derrubar aeronaves e destruir carros blindados.
Três militares se feriram durante a operação. O Exército informou que, de imediato, eles foram socorridos a um hospital da Cidade do México, assim como os três suspeitos feridos gravemente. Até esta publicação, não havia informações sobre o estado de saúde dos feridos.
O Exército afirmou que a operação teve apoio dos EUA. A morte de El Mencho é o maior ataque das forças de segurança do México no país desde a detenção de Joaquín ‘El Chapo’ Guzmán, chefe do Cartel de Sinaloa e que cumpre prisão perpétua dos EUA desde 2019.
CHEFE DE CARTEL ERA PROCURADO PELOS EUA
O Departamento de Estado dos EUA oferecia recompensa de 15 milhões de dólares por informações que levassem até El Mencho. O país acusa o CJNG, formado em 2009, de ter a maior capacidade de tráfico de cocaína, heroína e metanfetamina do país. Segundo o governo, nos últimos anos, o cartel também passou a traficar fentanil para os Estados Unidos.
Desde 2017, El Mencho foi indiciado diversas vezes nos EUA. A acusação mais recente, apresentada em 5 de abril de 2022, apontava crimes de conspiração e distribuição de substância controlada (metanfetamina, cocaína e fentanil) com o objetivo de importação ilegal, além do uso de arma de fogo.
Ataque ao chefe do cartel pode ter influência na política do México. Segundo o jornal “Los Angeles Times”, a morte de El Mencho “representa uma grande conquista para o governo da presidente mexicana Claudia Sheinbaum, que vinha sofrendo intensa pressão da administração Trump para reprimir o tráfico de drogas com destino aos Estados Unidos”.
Foto: ULISES RUIZ / AFP
Fonte: Folhapess – https://www.otempo.com.br




