De acordo com nota técnica do Observatório de Clima e Saúde da Fiocruz e da Secretaria de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, a qualidade do ar se deteriorou na capital amazonense entre os dias 8 e 10 deste mês. Nesse período, a estação registrou concentrações próximas de 200 μg/m³ nos dias 8 e 9 e de 100 μg/m³ no dia 10.
O material particulado fino, conhecido como PM 2,5, é formado por partículas sólidas e gotículas líquidas suspensas no ar com diâmetro de até 2,5 micrômetros – cerca de 28 vezes menor que a espessura média de um fio de cabelo humano. A fumaça das queimadas é uma das fontes desse poluente.
Devido ao tamanho reduzido, essas partículas conseguem penetrar profundamente nos pulmões, alcançando os alvéolos pulmonares, podendo chegar ainda à circulação sanguínea.
Estudos científicos associam a exposição ao PM 2,5 ao aumento do risco de doenças respiratórias e cardiovasculares. Entre os efeitos relacionados à poluição estão o agravamento da asma e de outras doenças pulmonares, além de problemas como infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC).
Territórios indígenas ameaçados
Entre 1º e 10 de outubro de 2026, foram registrados 1.380 focos de incêndio no Amazonas. Desse total, 116 foram identificados em terras indígenas, o equivalente a 8,4% das ocorrências, segundo dados atribuídos ao Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).
A nota técnica da Fiocruz e da Secretaria de Saúde Indígena alerta para os riscos à saúde dessas comunidades. O documento destaca que 11 polos-base de saúde indígena vinculados ao Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Manaus demandam atenção diante das condições observadas e previstas de qualidade do ar.
A relação inclui localidades nos municípios de Beruri, Careiro Castanho, Manacapuru, Anamã e Rio Preto da Eva, além de áreas como Igapó Açu, Nossa Senhora da Saúde, Pantaleão, Abacaxis, Makira (Nova Jerusalém) e Kwatá.
Segundo os pesquisadores, a exposição à fumaça pode agravar vulnerabilidades já existentes nesses territórios. Entre os fatores apontados estão as desigualdades socioambientais, as dificuldades de deslocamento e as barreiras de acesso aos serviços de saúde, sobretudo à atenção especializada e de maior complexidade.
El Niño aumenta a preocupação
A perspectiva de fortalecimento do El Niño em 2026 e 2027 também preocupa os pesquisadores. Em atualização divulgada em 8 de outubro, o Centro de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês) apontou para a intensificação do fenômeno.
O fenômeno, intensificado pelas mudanças climáticas e o aquecimento do oceano, pode alterar os padrões de precipitação, temperatura e umidade na Amazônia. Como consequência, essas mudanças podem favorecer períodos de estiagem e aumentar o risco de propagação de incêndios florestais em determinadas áreas.
Os pesquisadores ressaltam, no entanto, que a ocorrência e a intensidade dos incêndios também dependem de outros fatores climáticos, ambientais e das atividades humanas.
Foto: Reprodução/ Redes sociais
Fonte: Madu Toledo – https://www.metropoles.com