Dados da Vigilância Epidemiológica apontam que Araxá registrou 10 casos positivos de chikungunya em 2024, nenhum em 2025 e voltou a confirmar dois casos em 2026. Em relação à dengue, o município contabilizou 9.543 casos positivos e 21 mortes em 2024. Em 2025, foram 3.179 confirmações e cinco óbitos. Neste ano, até 5 de maio, Araxá soma 253 casos confirmados de dengue e nenhum óbito.
Embora sejam transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti e apresentem sintomas iniciais parecidos, dengue e chikungunya possuem diferenças importantes. Nos primeiros dias, as duas doenças podem causar febre alta, dor no corpo, dor de cabeça e mal-estar.
A diferença está na evolução dos quadros. A dengue costuma apresentar sintomas mais agudos e temporários, mas também pode evoluir para formas graves, com risco de hemorragias e comprometimento de órgãos. Já a chikungunya chama atenção pelas dores articulares intensas, que podem permanecer por meses e até se tornar crônicas mesmo após a recuperação do paciente.
A referência técnica em arboviroses da Vigilância Epidemiológica, Eloísa Lilian Lopes, explica que a semelhança entre os sintomas dificulta a identificação nos primeiros atendimentos.
“Quando o paciente está nos dias iniciais, o médico muitas vezes não consegue identificar de imediato se é dengue ou chikungunya, porque os sintomas são muito parecidos. Na maioria dos casos, a dengue apresenta um quadro mais agudo e temporário. Já a chikungunya pode evoluir em diferentes fases e, em alguns pacientes, causar complicações principalmente em idosos, crianças e pessoas com comorbidades”, alerta.
A principal forma de diferenciar as doenças é por meio do exame laboratorial, que deve ser coletado preferencialmente até o quinto dia após o início dos sintomas. O material é encaminhado para análise na Fundação Ezequiel Dias (Funed), em Belo Horizonte, e o exame é disponibilizado gratuitamente para pacientes que se enquadram nos critérios estabelecidos.
Ações de bloqueio
A circulação da chikungunya costuma ser menor que a da dengue e, por isso, a doença pode passar períodos sem registros no município. Mesmo assim, o risco de transmissão permanece, principalmente quando pessoas infectadas chegam de cidades onde há maior circulação do vírus. Após picar alguém contaminado, o mosquito reiniciar o ciclo de transmissão da doença.
De acordo com o encarregado de combate às endemias da Vigilância Ambiental, Paulo Henrique Honorato, o trabalho de combate ao Aedes aegypti é realizado de forma contínua em Araxá para prevenir a transmissão da dengue, zika e chikungunya, já que as três arboviroses possuem o mesmo vetor transmissor. No entanto, diante de casos suspeitos ou confirmados de chikungunya, as equipes intensificam imediatamente as medidas de bloqueio.
As ações incluem aplicação de UBV costal, visitas domiciliares e reforço do combate ao mosquito nas regiões onde os pacientes moram. “Quando surge um caso de chikungunya, a gente dá uma atenção redobrada para conter a disseminação da doença. O bloqueio entra como prioridade justamente para evitar novos casos”, ressalta Paulo.
Cuidados
A Vigilância em Saúde reforça que a principal forma de prevenção às arboviroses continua sendo a eliminação dos criadouros do Aedes aegypti. Os agentes realizam visitas periódicas a cada 60 dias nas residências e também trabalham aos sábados, a cada 15 dias, para localizar moradores não encontrados durante a semana. Há ainda a possibilidade de agendamento pelo telefone (34) 3691-7120.
No entanto, o cuidado deve ser diário por parte do próprio morador. A recomendação é evitar recipientes com água parada, manter caixas d’água tampadas, limpar calhas e verificar constantemente quintais, vasos de plantas e outros locais favoráveis de proliferação do mosquito.






