Estados Unidos e Irã anunciaram no fim de semana que chegaram a um acordo para colocar fim à guerra que travam há mais de três meses no Oriente Médio.
Mas o anúncio não significa o fim automático do conflito. Pelo contrário: ainda há algumas etapas até o desfecho completo, dúvidas sobre o Estreito de Ormuz e, principalmente, informações conflitantes de ambos os lados.
Veja, abaixo, o que já se sabe e o que ainda falta ser esclarecido sobre o acordo:
É o fim da guerra?
Esse é o intuito final do acordo, segundo as duas partes, mas não, a guerra ainda não acabou. O acordo prevê, inicialmente, um cessar-fogo — ou seja, uma trégua nos ataques, e não o fim definitivo deles.
Oficialmente, os pontos do acordo não foram divulgados. Donald Trump disse que a íntegra do texto deve ser tornada pública após a cerimônia presencial de assinatura do acordo, na sexta-feira (19).
Mas a mídia estatal iraniana divulgou alguns trechos do texto que Teerã diz ter sido reivindicações suas aceitas por Washington.
Entre eles, estão:
- Um pacto de não agressão mútua envolvendo todas as partes, inclusive Israel e Líbano;
- A reabertura e o livre trânsito nas rotas marítimas comerciais do Oriente Médio;
- Discussões de compensações ao Irã por danos de guerra;
- A gradual suspensão de sanções financeiras e a retirada de forças de combate dos EUA da região.
Como fica o Estreito de Ormuz?
Neste ponto, ambos os lados disseram que o Estreito de Ormuz, que se tornou o grande ponto de tensão da guerra, será reaberto de forma imediata. Da mesma forma, Donald Trump afirmou já ter ordenado o levantamento do bloqueio naval que navios da Marinha dos EUA fazem na entrada do estreito, impedindo a passagem de navios que comercializem com portos iranianos na região.
Mas o consenso termina por aí: nesta segunda-feira (15), Trump disse inclusive que o tráfego de navios no canal já havia começado a se mexer após o anúncio. Mas o Irã, que controla, na prática, a movimentação de navios em Ormuz, não confirmou.
Além disso, o Ministério da Defesa do Irã também anunciou que passará a cobrar uma “taxa de serviço” aos navios que cruzarem o estreito, apesar de Donald Trump ter afirmado que o acordo proíbe a instauração de um pedágio no tráfego local de embarcações.
Como fica o enriquecimento de urânio no Irã?
Um desfecho sobre esse ponto foi adiado e será debatido durante o cessar-fogo, no âmbito do programa nuclear. Interlocutores disseram a agências de notícias que ambas as partes usaram esse recurso para conseguir anunciar o fim da guerra agora.
Washington quer o desmantelamento total do enriquecimento de urânio — procedimento feito para criar materiais nucleares. Trump disse que sua equipe de negociadores exigiu que uma equipe independente entre no Irã e escave todo o material nuclear e envie o urânio já enriquecido em território iraniano para fora do país, possivelmente para a Rússia, que já se ofereceu para receber o material.
Mas Teerã, de momento, se opõe.
Como ficam as sanções ao Irã?
Os EUA concordaram em relaxar e aliviar as sanções econômicas, mas de forma gradativa e condicionada ao cumprimento do acordo.
O objetivo de Teerã é conseguir restabelecer a exportação de petróleo, atualmente proibida pelas sanções do Ocidente, para recuperar sua economia severamente castigada por mais de três meses de conflito.
Como fica o conflito no Líbano?
Este é um dos pontos onde há menos consenso, pelo menos entre Israel e as outras partes.
O anúncio oficial do acordo feito pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, destacou que o encerramento permanente das operações militares inclui a frente no Líbano.
O fim dos ataques de Israel em território libanês é inclusive uma exigência direta de Teerã para assinar o acordo. Isso porque o Irã é aliado e financia o Hezbollah, alvo dos ataques de Israel no Líbano. O grupo terrorista atacou o território israelense dias após o início do conflito, quando EUA e Israel bombardearam o Irã.




