O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) se reúne nesta segunda-feira (5) em uma sessão extraordinária para tratar do ataque dos Estados Unidos à Venezuela. Durante a reunião, o Brasil deve pedir a palavra para fazer um discurso.
A reunião foi solicitada pela Colômbia após os Estados Unidos atacarem, na madrugada do sábado (3), diversos pontos de Caracas e capturarem o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores.
O Brasil não é membro permanente do conselho, mas pretende pedir a palavra para fazer um discurso, segundo fontes da diplomacia confirmaram à GloboNews.
A fala deve seguir na mesma linha do pronunciamento do ministro das Relações Exteriores (Itamaraty), Mauro Vieira, na reunião da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), nesse domingo (4), e da nota do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
No último sábado, Lula afirmou que a ação militar norte-americana em solo venezuelano é “inaceitável”.
Posicionamento de Lula
Em seu único pronunciamento oficial sobre o caso, o presidente Lula afirmou que a ação venezuelana é um ataque à soberania do país, e cruzou uma linha inaceitável.
“Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo. A condenação ao uso da força é consistente com a posição que o Brasil sempre tem adotado em situações recentes em outros países e regiões”, acrescentou.
O petista também defendeu que “a ação lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe e ameaça a preservação da região como zona de paz”.
Logo após o ataque, o governo também convocou uma reunião ministerial para tratar da resposta política e de eventuais reflexos do caso em território brasileiro. A fronteira com a Venezuela, na cidade de Pacaraima (RR), está sob monitoramento do Ministério da Defesa.
Países expressaram preocupação com o tema
No domingo (4), Brasil, México, Chile, Colômbia, Uruguai e Espanha divulgaram um posicionamento conjunto no qual expressam preocupação com “tentativas de controle governamental” diante da ação militar da Casa Branca.
Além disso, reafirmaram a situação na Venezuela deve ser resolvida por meios pacíficos, sem ingerências externas e em conformidade com o direito internacional.
“Reafirmamos que apenas um processo político inclusivo, liderado pelas venezuelanas e pelos venezuelanos, pode conduzir a uma solução democrática, sustentável e respeitosa da dignidade humana”, diz o comunicado.
Reunião da Celac terminou sem acordo
A reunião da da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), realizada neste domingo (4), para discutir a situação da Venezuela após o ataque, terminou sem acordo entre os países sobre um posicionamento a respeito do tema.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, participou da reunião. Em função de uma falta de consenso entre os países, a Celac terminou sem divulgar um posicionamento conjunto.
Foto: Redes Sociais
Fonte: Erick Rianelli, GloboNews — Brasília – https://portaldotriangulo.com.br



