Nem sempre estar magro significa que os fatores de risco associados à obesidade estão distantes. Se o percentual de gordura entre os órgãos da cavidade abdominal — ou seja, a gordura visceral acima de 10% do peso corporal, percentual considerado alto, mas 49% estavam acima do peso.
O levantamento foi realizado pela multinacional Omron a partir de testes realizados com 767 pessoas em farmácias utilizando uma balança digital de bioimpedância.
“A gordura visceral não é apenas um depósito de energia: ela é um verdadeiro órgão inflamatório. Seu excesso está associado à hipertensão arterial, colesterol alto, resistência à insulina e diabetes tipo 2, aumento de inflamação sistêmica, aterosclerose e risco aumentado de infarto e AVC”, explica o médico cardiologista Audes Magalhães Feitosa, da Sociedade Brasileira de Cardiologia.
Feitosa explica que a gordura visceral é um perigo silencioso por se acumular ao redor de órgãos, como o fígado, o pâncreas e os intestinos, de modo que não é visível como a gordura abdominal. É assim que o fenômeno TOFI passa despercebido.
“O problema é que muitas pessoas avaliam sua saúde apenas pela aparência física e pelo peso na balança.” O Índice de Massa Corporal (IMC), usado para avaliar a obesidade, não é consegue captar a condição. “Ele não distingue composição corporal, o que pode levar ao falso entendimento de que uma pessoa dentro da faixa de peso normal está metabolicamente saudável, quando na verdade pode ter um alto risco cardiovascular”, afirma.
Como a gordura visceral se forma?
O processo de formação de gordura recobrindo os órgãos está ligado aos maus hábitos alimentares e ao sedentarismo, males em ascensão nas últimas décadas.
Uma dieta com excesso de calorias, rica em açúcares e gordura saturada, como ocorre em alguns ultraprocessados, leva ao quadro, assim como a resistência à insulina.
“O estresse crônico, pois os altos níveis de cortisol (o hormônio do estresse) favorecem o acúmulo de gordura na região abdominal, fatores genéticos e hormonais e o sedentarismo”, completa o cardiologista.
O melhor caminho para evitar essa condição que abre portas para doenças cardiovasculares está na construção e manutenção de hábitos saudáveis.
“Para combater o problema, é preciso ter uma alimentação equilibrada, dando prioridade aos alimentos in natura e minimamente processados, a ingestão adequada de fibras, proteínas e calorias, principalmente”, recomenda Thais Galhardo, nutricionista especializada em emagrecimento. “Praticar exercícios físicos regulares, como musculação e exercícios aeróbios, e promover a redução do estresse com uma rotina equilibrada e uma boa qualidade de sono.”
Hipertensão
Em outra etapa da ação, foram feitas medições de pressão arterial em 2 399 pessoas e foi detectada hipertensão em 26%, índice semelhante ao encontrado nas estatísticas da Sociedade Brasileira de Cardiologia, que é de 26,3%.
Os dados mostraram que 25,3% das pessoas avaliadas estavam em um estágio de pré-hipertensão. Entre os que tiveram o quadro de pressão alta constatado, um terço estava nos estágios 2 ou 4, considerados avançados.
Testes para avaliar o percentual de massa magra e para verificar fibrilação atrial, um tipo de arritmia cardíaca, também foram feitos.
Nesta última análise, o índice de fibrilação arterial chamou atenção. Isso porque o tipo de arritmia foi encontrado em 50 pessoas, totalizando 6,5% dos avaliados.
“A saúde cardiovascular não pode ser avaliada apenas pelo peso na balança. Muitos problemas começam silenciosamente, sem sintomas evidentes, e só são percebidos quando já há uma doença instalada. Monitorar indicadores como percentual de gordura visceral, glicemia, colesterol, pressão arterial e composição corporal permite identificar riscos precocemente e prevenir doenças metabólicas”, diz Feitosa.
Fonte: https://veja.abril.com.br
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