O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que o fim da guerra no Oriente Médio depende do cumprimento de três condições impostas por Teerã.
A fala, na noite de quarta-feira (12), foi a primeira vez em que uma autoridade iraniana mencionou publicamente a possibilidade de fim nos conflitos atuais, apesar de ataques ao Golfo Pérsico seguirem e o novo líder supremo ter ameaçado atacar bases dos EUA.
Pezeshkian apresentou como exigências para que o Irã cesse ataques:
- O reconhecimento dos “direitos legítimos” do país;
- O pagamento de reparações às destruições provocadas por ataques dos EUA e Israel;
- E a criação de garantias internacionais que impeçam novas agressões.
Segundo o presidente iraniano, essas medidas representam “o único caminho” para encerrar o conflito com Israel e os Estados Unidos. O posicionamento, foi divulgado pelo presidente iraniano nas redes sociais, em meio à intensificação dos confrontos envolvendo os três países.
Na mensagem, Pezeshkian afirmou ainda que conversou com o presidente russo, Vladimir Putin, para quem disse ter manifestado o compromisso do Irã com a paz na região. No entanto, responsabilizou os adversários pela escalada do conflito.
Já nesta quinta-feira (12), o novo líder supremo do Irã, Motjaba Khamenei, teceu novas ameaças aos Estados Unidos em seu primeiro pronunciamento oficial.
Na declaração, lida por um apresentador, Motjaba fez ameaças aos Estados Unidos e anunciou novos ataques a bases militares do país no Oriente Médio:
“Todas as bases americanas da região devem ser fechadas imediatamente. Essas bases serão atacadas”, afirmou, acrescentando: ‘O Irã não se absterá de vingar o sangue de seus mártires”.
Pressionado pelos países vizinhos, alvos dos ataque retaliatórios iranianos contra os EUA e Israel desde o começo da guerra, Khamenei defendeu a ofensiva de Teerã. Disse que o país acredita na “amizade” com eles e, por isso, está atingindo apenas bases militares, mas que é “inevitável continuar”.
Guerra e escalada militar
O atual conflito no Oriente Médio começou após ataques de Estados Unidos e Israel contra alvos estratégicos em território iraniano no fim de fevereiro.
Esses ataques resultaram na morte do líder supremo Ali Khamenei e de parte da cúpula militar do país, desencadeando uma onda de retaliações iranianas e ampliando a escalada militar na região.
Desde então, Teerã tem respondido com ataques a bases americanas e posições israelenses, além de elevar as ameaças a embarcações ligadas aos dois países no Golfo Pérsico — uma rota responsável por cerca de 20% do fluxo mundial de petróleo.
Enquanto o Irã promete retaliação, Estados Unidos e Israel mantêm operações aéreas contra infraestrutura militar e estratégica iraniana.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em pronunciamentos recentes que a guerra estaria “praticamente encerrada”, apesar da continuidade das tensões.
Israel, por sua vez, declarou que suas operações continuarão “enquanto for necessário”. O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou que o país não pretende interromper a ofensiva até atingir todos os objetivos militares definidos pelo governo.
A escalada ocorre poucos dias depois de Pezeshkian ter criticado publicamente as exigências americanas de “rendição incondicional”, classificando-as como “um sonho que eles deveriam levar para o túmulo”, durante outro pronunciamento divulgado pela TV estatal iraniana. Na ocasião, ele também pediu desculpas por ataques a países vizinhos, atribuindo-os a falhas internas de comunicação.
Foto: Angelina Katsanis/AP Photo
Fonte: Redação g1 – https://g1.globo.com





