O temporal que atingiu a região de Ribeirão Preto (SP) na madrugada desta sexta-feira (24) foi causado pela entrada de uma frente fria no interior de São Paulo, já prevista pelos meteorologistas desde o começo da semana.
À EPTV, afiliada da TV Globo, a meteorologista Josélia Pegorim informou que a Climatempo ainda avalia se houve os fenômenos de microexplosão ou um tornado. Qualquer possibilidade de se tratar de algo relacionado ao El Niño foi descartada.
Segundo a meteorologista, microexplosões são fenômenos provocados pelas nuvens cumulonimbus.
“São essas nuvens que causam a chuva forte, ventania, os raios. Só que a microexplosão, ou em uma microexplosão, a chuva cai muito intensa, concentrada em uma mesma área e junto com o vento forte. É como se você despejasse uma grande quantidade de água em pouco tempo, mas só em um local muito definido. Ela atua em uma área muito pequena e com ventania também”.
O temporal causou estragos em diversos pontos da cidade. Guariba, Taquaritinga, Dumont e Pradópolis registraram prejuízos.
Em Ribeirão Preto, um homem de 82 anos morreu após a casa dele ser atingida por um imóvel vizinho, que cedeu.
Ar quente colaborou formação de tempestade
Ainda segundo Josélia, a frente fria começou a causar mudanças no tempo na quinta-feira (23). Ao avançar por São Paulo na madrugada desta sexta, encontrou um ar muito quente, espeficicamente, sobre o Norte do estado, o que provocou a tempestade na região de Ribeirão Preto.
A meteorologista disse que os radares meteorológicos mostraram os núcleos de tempestade que passaram, primeiro, pela região de Pradópolis, onde os ventos chegaram a 122 km/h. Na sequência, chegaram em Ribeirão Preto com muita força. De acordo com a Defesa Civil, os ventos atingiram 70 km/h na cidade.
“O aeroporto de Ribeirão registrou rajadas de até 65 km/h, mas pelo nível de estrago, certamente em outras áreas da cidade, as rajadas de vento foram mais intensas”.
Prefeito decretou estado de emergência
O prefeito Ricardo Silva (PSD) assinou um decreto de emergência válido por 180 dias e instalou um gabinete de crise para atender as ocorrências em Ribeirão Preto.
Equipes da Defesa Civil estadual estão se deslocando para Ribeirão Preto e a cidade também vai receber ajuda humanitária.
Veja abaixo as principais medidas do decreto:
- Autoriza a mobilização de todos os órgãos municipais para atuarem sob a coordenação da Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil (Compdec) nas ações de resposta ao desastre, reabilitação do cenário afetado e reconstrução;
- Convocação de voluntários para integrar as ações de resposta ao desastre, bem como a promoção de campanhas de arrecadação de recursos junto à comunidade, visando facilitar a prestação de assistência à população afetada, sob a coordenação do Compdec;
- Autorizadas as autoridades administrativas e os agentes de Defesa Civil, diretamente responsáveis pelas ações de resposta aos desastres, a adotarem, em caso de risco iminente: entrar em residências para prestar socorro ou determinar pronta evacuação e utilizar propriedade particular, no caso de iminente perigo público, assegurando ao proprietário a indenização posterior, caso haja dano.
- Será responsabilizado o agente da Defesa Civil ou autoridade administrativa que se omitir no cumprimento das obrigações relacionadas à segurança da população.
- Em caso de reconhecida utilidade pública, fica autorizada a instauração dos procedimentos de desapropriação, nos termos da legislação federal aplicável com a devida observância das disposições legais vigentes.
- Dispensadas de licitação as aquisições de bens indispensáveis ao atendimento da situação de emergência ou do estado de calamidade pública, bem como as contratações relativas a parcelas de obras e serviços que possam ser concluídas no prazo máximo de um ano, contado da data da ocorrência do evento, sendo vedadas a recontratação das mesmas empresas e a prorrogação dos contratos firmados com base nesta exceção.
Foto: Redes sociais
Fonte: Isabela Diógenes, Flávia Santucci, EPTV, g1 Ribeirão e Franca – https://g1.globo.com




