Maior edição da história reuniu 19 países, cerca de mil queijos, recorde de público, negócios, turismo e consagrou, pela segunda vez consecutiva, um queijo brasileiro com o Super Ouro
A ExpoQueijo Brasil 2026 – Araxá International Cheese Awards chegou ao fim neste domingo (28) consolidando a maior edição desde a criação do evento. Durante quatro dias, Araxá recebeu produtores, especialistas, compradores, chefs, pesquisadores e visitantes de diversas regiões do Brasil e do exterior, transformando Minas Gerais no principal palco do queijo artesanal nas Américas.
Com representantes de 19 países, aproximadamente mil queijos inscritos no Concurso Internacional, mais de 200 jurados nacionais e internacionais, estrutura recorde de 4,8 mil metros quadrados cobertos, 86 estandes comerciais, praça gastronômica, cozinha-show, Fórum Internacional, oficinas, podcasts, feira de negócios e uma intensa programação cultural, a ExpoQueijo reforçou seu protagonismo no cenário mundial da produção artesanal.
O impacto foi sentido muito além do Grande Hotel e Termas de Araxá. A cidade registrou alta ocupação da rede hoteleira durante todo o período do evento e forte movimentação em restaurantes, comércio, transporte, turismo e prestação de serviços, confirmando a feira como um dos principais motores da economia regional.
Brasil conquista o Super Ouro
O ponto alto da programação foi a divulgação dos vencedores do Concurso Internacional de Queijos Artesanais. Pela segunda vez consecutiva, o Brasil conquistou o Super Ouro, principal reconhecimento da competição.
O grande vencedor foi o Queijo Maranata Ouro, da Rancho Maranata, de Virgínia, no Sul de Minas, produzido por Henrique Lamim. O queijo venceu na categoria de leite cru, casca lisa e/ou lavada, com mais de 180 dias de maturação, superando concorrentes de alguns dos principais países produtores do mundo.
Para Henrique Lamim, a conquista representa o reconhecimento de uma trajetória construída ao longo de anos de aperfeiçoamento.
“É o sexto ano que a gente participa. É um concurso muito disputado e com muita credibilidade. A gente conquistou bronze em 2023, prata em 2024, em 2025 ficamos em quarto lugar e viemos trabalhando para melhorar a qualidade. Este ano fomos agraciados com o Super Ouro”, disse.
O produtor também destacou o significado de competir diretamente com os tradicionais produtores europeus.
“Concorremos com os reis do parmesão, os italianos, o Parmigiano Reggiano, o Grana Padano, e, com a graça de Deus, meu queijo, com nove meses de maturação, conquistou o Ouro e o Super Ouro”, afirmou.
Henrique ainda ressaltou que o maior legado do concurso vai além da medalha.
“Os bastidores mais importantes do concurso são receber um feedback. Eu corrigi muito o meu queijo nesses últimos seis anos por meio dos retornos dos jurados. Hoje eu tenho orgulho de dizer que sou produtor rural, vivo da produção rural e consigo gerar renda fazendo aquilo que amo”, disse.
Desde a criação da ExpoQueijo Brasil, apenas três países conquistaram o Super Ouro. A Itália venceu as edições de 2021 e 2022, a Argentina ficou com o título em 2023 e 2024, enquanto o Brasil entrou para a galeria dos campeões em 2025 e agora conquista o prêmio máximo pela segunda vez consecutiva.
Conhecimento, negócios e cultura
Além do concurso internacional, a ExpoQueijo promoveu dezenas de atividades voltadas ao fortalecimento da cadeia produtiva do queijo artesanal.
O Fórum Internacional reuniu especialistas para discutir temas como exportação, legislação, sustentabilidade, pesquisa, inovação e cooperativismo. Oficinas técnicas abordaram boas práticas de fabricação, maturação e valorização do Queijo Minas Artesanal, enquanto a Cozinha Show aproximou chefs, produtores e consumidores por meio de demonstrações gastronômicas.
A feira de negócios reuniu produtores artesanais, empresas, cooperativas e instituições, ampliando oportunidades comerciais e fortalecendo conexões entre diferentes elos da cadeia produtiva.
Na programação cultural, milhares de pessoas acompanharam apresentações gratuitas ao longo dos quatro dias. O Baile do Vinny abriu a agenda musical na quinta-feira. No sábado, Leo Jaime levou ao palco sucessos que marcaram gerações ao lado da banda Amigos do Rock. O encerramento, no domingo, reuniu famílias e visitantes ao som da Orquestra de Viola Luar do Sertão, Big Band, Texas Radio, Natália Martins e Pagode do Xú, fechando a edição em clima de celebração.
Protagonismo de Minas Gerais
Ao longo da programação, representantes do Governo de Minas e do Ministério da Agricultura do Governo Federal destacaram a importância estratégica da ExpoQueijo para a valorização da produção artesanal.
O secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Thales Fernandes, afirmou que o evento ultrapassou o conceito de uma feira gastronômica. “Nós temos um ambiente de concurso e de festa, mas também discussões sobre agroindústria de pequeno porte, regulamentos, pesquisas e um fórum que repercute em toda a cadeia do queijo artesanal. Eu ouso dizer que este é um dos maiores eventos de queijo do mundo. Nesta semana, Araxá se tornou o centro do mundo na questão do queijo”, disse.
Edição histórica e novidades para 2027
Para a organizadora da ExpoQueijo Brasil, Maricell Hussein, a edição de 2026 representa um novo capítulo na trajetória do evento.
“Encerramos a maior ExpoQueijo da nossa história. Foram quatro dias em que Araxá recebeu o mundo, promoveu conhecimento, negócios, turismo, cultura e mostrou, mais uma vez, a força do queijo artesanal. O crescimento desta edição confirma que estamos no caminho certo e aumenta ainda mais nossa responsabilidade com o futuro do evento”, afirmou.
Segundo Maricell, os trabalhos para a próxima edição já começaram.
“A ExpoQueijo 2027 já está sendo preparada. Vamos trazer novidades importantes, ampliar ainda mais a participação internacional, fortalecer os espaços de negócios, conhecimento e gastronomia e continuar fazendo de Araxá a principal vitrine do queijo artesanal nas Américas. Quem participou este ano pode ter certeza de que vem muita coisa nova pela frente”, anunciou.





