Na avaliação de analistas do mercado, o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC) cortou a Selic, a taxa básica de juros do país, para 14,25% nesta quarta-feira (17/6), mas o comunicado que justificou a redução foi mais duro do que o esperado.
No texto, observa Pablo Spyer, conselheiro da Associação Nacional de Corretoras (Ancord), o Copom reconhece que a atividade econômica continua forte, especialmente nos setores mais cíclicos. O órgão também admite que a inflação piorou. “As projeções para 2026 subiram de 4,6% para 5,2%, enquanto a inflação esperada para o fim de 2027 avançou de 3,5% para 3,7%, ambas acima da meta”, diz Spyer.
Além disso, as expectativas do mercado também pioraram, passando de 4,9% para 5,3% em 2026 e de 4,0% para 4,1% em 2027. “O BC ainda incluiu um novo risco altista: os estímulos ao consumo e à demanda agregada, numa referência indireta à política fiscal expansionista”, observa o especialista.
Para o técnico, outro ponto importante é que o BC afirmou que diferentes trajetórias de juros podem levar a inflação para a meta e mostrou preocupação em evitar uma desaceleração excessiva da economia. “O comunicado também abriu espaço para que a convergência da inflação seja buscada já em 2028, indicando uma postura mais flexível”, afirma.
Questão fiscal
Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, também destaca a menção feita pelo Copom à questão fiscal. “Pela primeira vez, o BC citou explicitamente os estímulos à demanda, numa referência ao impulso fiscal eleitoral, como fator de risco inflacionário, além de reconhecer que a inflação corrente superou o limite superior da meta na última leitura”, diz.
Kayo observa que o Comitê reafirmou serenidade e cautela, sem sinalizar cortes para agosto. “Com projeções de inflação deterioradas, atividade acima do esperado e expectativas desancoradas, o BC deixa claro que os próximos passos dependem da evolução dos dados, elevando a barra para novas reduções”, conclui.
Foto: Getty Images
Fonte: Carlos Rydlewski – https://www.metropoles.com




