A Coreia do Norte não pretende mudar sua condição de país com armas nucleares, afirmou o líder Kim Jong-un, segundo a mídia estatal nesta segunda-feira (23), já terça-feira por lá (24). A declaração foi feita durante discurso no Parlamento, em Pyongyang, capital do país.
“Seguiremos consolidando firmemente nosso status como Estado nuclear em um caminho irreversível, ao mesmo tempo em que intensificamos nossa luta contra forças hostis”, disse Kim.
A fala ocorre em meio à apresentação de um novo plano econômico de cinco anos, que deve caminhar em paralelo à expansão do programa nuclear do país. De acordo com a agência estatal KCNA, o regime pretende reforçar sua capacidade de dissuasão, ao mesmo tempo em que amplia investimentos na economia e nas condições de vida da população.
No campo fiscal, o governo informou que 15,8% do orçamento de 2026 será destinado à defesa, sinalizando a prioridade dada ao setor militar. Segundo a KCNA, os recursos também devem sustentar o avanço do programa nuclear classificado pelo regime como “autodefensivo”.
Durante a sessão, o Parlamento norte-coreano também aprovou mudanças constitucionais e leu uma mensagem do presidente da Rússia, Vladimir Putin, que prometeu aprofundar a parceria estratégica entre Moscou e Pyongyang.
As declarações reforçam a sinalização de que o regime pretende manter e expandir seu arsenal nuclear como eixo central de sua estratégia política, militar e diplomática.
Panorama das armas nucleares deve mudar
O cenário nuclear global também tende a passar por mudanças. A Coreia do Norte não deve ser o único país a ampliar seu arsenal, em meio ao fim do último acordo que limitava as armas estratégicas das duas maiores potências nucleares do mundo.
Juntas, Rússia e Estados Unidos concentram cerca de 90% das ogivas nucleares globais. Com o vencimento do tratado New START no mês passado, os dois países passaram a não ter mais um acordo em vigor que imponha limites a seus arsenais.
Outros sete países do mundo possuem ogivas nucleares, segundo um levantamento de janeiro de 2025 do Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (Sipri), referência em armamentos nucleares. Veja no infográfico abaixo quais são esses países e quantas ogivas se estima que cada um tenha.
Segundo especialistas ouvidos pelog1, o New START era “o último freio” de uma corrida armamentista nuclear mundial, e a sência de um tratado que limite armas nucleares faz com que outros países do mundo busquem acesso a ogivas atômicas diante de um cenário de segurança mundial deteriorada.
Foto: Redes Sociais
Fonte: Otávio Preto, G1 — São Paulo – https://g1.globo.com




