A polícia do Reino Unido retomou as buscas em endereços ligados ao ex-príncipe Andrew na manhã desta sexta-feira (20), no dia seguinte que sua prisão chocou o mundo e aumentou a crise da família real britânica.
O ex-príncipe Andrew, irmão do rei Charles III, foi preso na manhã de quinta e ficou cerca de 11 horas na delegacia para depor sob suspeita de má conduta no exercício de cargo público. As autoridades afirmaram que o ex-príncipe “foi liberado enquanto as investigações continuam”. Segundo a polícia, buscas continuam em um endereço ligado a ele.
Carros da polícia foram vistos entrando no Royal Lodge, ex-residência oficial de Andrew em Berkshire na qual ele morou até outubro, quando “foi expulso” pelo rei Charles III. As buscas casa de campo de Sandringham, onde o ex-príncipe mora atualmente, terminaram ainda na quinta-feira, segundo informou a polícia do Vale do Tâmisa, que comanda as investigações.
Os veículos da polícia que entraram no Royal Lodge estavam sem identificação oficial, assim como ocorreu na quinta-feira. Agências de notícias internacionais registraram movimentação desses veículos por volta das 5h20, no horário de Brasília, e às 6h40.
A polícia britânica não havia dado nenhum detalhe sobre as buscas nos endereços ligados ao ex-príncipe Andrew até a última atualização desta reportagem. A imprensa britânica e agências de notícias internacionais estavam mobilizadas em frente ao Royal Lodge e à residência de Sandringham.
Segundo a “BBC”, a polícia ainda pode buscar obter mandados de busca para unidades de armazenamento ligadas a Andrew ou até o Palácio de Buckingham, onde moram o rei Charles III e a rainha Camilla, caso considerem necessário. Se fosse o caso, Charles III “com certeza” renunciaria a quaisquer privilégios reais que pudessem restringir o acesso das autoridades, segundo especialista jurídico ouvido pela emissora britânica.
A prisão de Andrew ocorreu uma semana após autoridades britânicas terem aberto uma investigação para apurar se o ex-príncipe enviou relatórios confidenciais a Jeffrey Epstein enquanto atuava como representante especial do Reino Unido para o Comércio Internacional.
- Epstein foi um financista norte-americano acusado de comandar uma rede de abuso sexual de menores de idade. Ele morreu na prisão em 2019.
- Arquivos do caso divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos desde dezembro citam Andrew diversas vezes.
- Entre os materiais, há fotos em que ele aparece ajoelhado ao lado de uma mulher com o rosto censurado.
Andrew também foi acusado de agressão sexual por Virginia Giuffre, testemunha central do caso Epstein, quando ela ainda era menor de idade. Giuffre tirou a própria vida na Austrália, em abril de 2025. Ela morreu aos 41 anos.
O ex-príncipe nega todas as acusações, tanto as relacionadas ao envio de informações confidenciais quanto as de agressão sexual.
A polícia informou que realizou buscas em dois endereços ligados ao ex-príncipe: um em Berkshire, a oeste de Londres, e outro em Norfolk, no leste da Inglaterra. Agentes locais confirmaram apoio às operações.
Durante a manhã, a polícia do Vale do Tâmisa informou que prendeu um homem na casa dos 60 anos com “motivos razoáveis para suspeitar que um crime ocorreu”. O nome do suspeito não foi divulgado oficialmente, sob a justificativa de proteger a identidade do preso.
Mais tarde, a BBC publicou uma reportagem afirmando que o preso era o ex-príncipe Andrew. A informação também acabou sendo confirmada pela família real britânica.
Em comunicado, o rei Charles III afirmou ter recebido a notícia “com preocupação”, mas declarou que a polícia tem o apoio da família real e que “a lei precisa seguir seu curso”. Segundo a BBC, o monarca não foi avisado previamente sobre a prisão.
O príncipe William e a princesa Kate também apoiam a posição do rei, de acordo com o serviço de imprensa real.
Ainda de acordo com a BBC, caso o ex-príncipe seja considerado culpado de má conduta no exercício de cargo público, ele pode ser condenado à prisão perpétua.
Foto: Ben Stansall/AFP
Fonte: Redação g1 – https://g1.globo.com




